Espaço que divulga a obra do mestre de cultura popular Antonio Pedro, patrimônio da memória musical do estado do Acre.
sexta-feira, 17 de junho de 2016
sábado, 12 de maio de 2012
INSTRUMENTOS DO ACRE
Nesta postagem, uma breve catalogação de alguns instrumentos que compõem os BAQUES DO ACRE.
Estpu começando esta publicação, e aos poucos vou completando, tem muita coisa pra ver.
INDÍGENAS
TAMBOR CAIXA KAMPA
Neste modelo é feita pelas etnias Ashaninka e Manxineri, ambas oriundas do Perú. É feita de casca de árvore ou de tronco de toarí escavado, uma palmeira da região. São utilizadas peles de veado, porquinho do mato, cotia ou capelão. Os aros são feitos de cipó e as cordas de fibra de tucum.
TRUMPEH
Arco de boca, muito utilizado pela etnia Manxineri. È percutido com o dedo e com a outra extremidade presa aos dentes, produz harmônicos das notas musicais conforme a abertura da boca do executante. É próprio para os rituais de Ayahuasca, para chamar as mirações.
NORDESTINOS
HARMÔNICA
Trazida pelos soldados da borracha, também trouxe suas escolas nordestinas, com as afinações cromáticas para 8 baixos e também a de 12 e 24 baixos.
Existem relatos de diversos mapas de cromatização mas até o momento temos completos apenas 1 feito neste instrumento pelo músico João do Bandolim, morto em janeiro de 2013.
VIOLÃO CON AFINAÇÃO SUSTENIDA
Utilizada por Antonio Pedro também é citada por Julio Carioca Filho que era praticada pelo conhecido Chico Cego, antigo músico da comunidade do Daime do Mestre Irineu Serra.
A corda SOL e substituida por uma MI agudo e é afinada oitava acima, soando solta a nota SOL da 3a casa da 1a corda aguda MI.
Antonio Pedro relata que esta afinação dá o apoio necessário para sua voz. Esta alteração faz aparecer uma função encontrada na viola sertaneja ( dos repentistas nordestinos) chamada de rebote, só que é executada com o dedão para baixo, diferente da viola que com 3 cordas juntas na localização da 6a MI. A mesma função é utilizada por caminhos diferente e de forma econômica, utilizando somente 1 corda alterada.
O rebote da viola sertaneja possui a mesma afinação do chamado tikari dos instrumentos de corda da Índia (Sitar, Sarod, etc) e Iran ( Tar), também na mesma função de encalço rítmico agudo.
HÍBRIDOS
Instrumentos de provavel surgimento e adaptações nos seringais acreanos.
TAMBORIM
Nome genérico dado aos tambores em geral exceto para a zabumba e o pandeiro.
TAMBOR DE BORRACHA
Utilizado com corpo panela de esmalte com o fundo retirado, lata ou de madeira.
O latéx é defumado utilizando por exemplo uma bacia como forma, sendo curtida na sombra e no sol. Também era comum utilizar outros objetos já feitos de látex como bolsas, sacos e até sapatos encauxados ( embebidos de borracha de caucho) ou látex.
Esta pele é fixa ao corpo por pressão de cinta de látex chamada de sarnambi ou sernambí.
A sonoridade é rica em harmônicos e lembra o som produzido por bolas de futebol dente de leite ou balão de festa. Tocado com uma baqueta leve ou com a mão para não rasgar a pele propus frequências graves, um kick nítido e harmônicos em muitos níveis.
Fonte: Antonio Pedro, Antonio Honorato, Aldenor Costa, Seu Bima.
PANDEIROS DE APUÍ
Seus corpos feitos com aros retirados de raízes do apuí, árvore gigante que cresce a partir de copa de uma palheira. As raízes que parecem tábuas são cortadas dando origem a vários tipos de tambores, mas principalmente aos pandeiros que variam de 25 a 50cm de diâmetro. Sua forma circular é reforçada por aros cruzados internamente. Eram cobertos com pele de onça pintada, macaco capelão ou veado, esticados e fixos com pequenos pregos.
Fonte: Seu Bima.
ESPANTA -CÃO
Também conhecido como "Mãe do cão", "Violão do cão", este instrumento carrega em si simbolismos fortes misturados com humor, tanto por sua forma tanto pela execução e sonoridade.
É uma cruz de madeira com o pé de borracha defumada, platinelas nos braços e na cabeça, e um reco feito com molas, bambú ou ralo, no corpo.
Fonte: Antonio Pedro, Antonio Honorato, Aldenor Costa, Seu Bima.
Estpu começando esta publicação, e aos poucos vou completando, tem muita coisa pra ver.
INDÍGENAS
TAMBOR CAIXA KAMPA
Neste modelo é feita pelas etnias Ashaninka e Manxineri, ambas oriundas do Perú. É feita de casca de árvore ou de tronco de toarí escavado, uma palmeira da região. São utilizadas peles de veado, porquinho do mato, cotia ou capelão. Os aros são feitos de cipó e as cordas de fibra de tucum.
TRUMPEH
Arco de boca, muito utilizado pela etnia Manxineri. È percutido com o dedo e com a outra extremidade presa aos dentes, produz harmônicos das notas musicais conforme a abertura da boca do executante. É próprio para os rituais de Ayahuasca, para chamar as mirações.
NORDESTINOS
HARMÔNICA
Trazida pelos soldados da borracha, também trouxe suas escolas nordestinas, com as afinações cromáticas para 8 baixos e também a de 12 e 24 baixos.
Existem relatos de diversos mapas de cromatização mas até o momento temos completos apenas 1 feito neste instrumento pelo músico João do Bandolim, morto em janeiro de 2013.
VIOLÃO CON AFINAÇÃO SUSTENIDA
Utilizada por Antonio Pedro também é citada por Julio Carioca Filho que era praticada pelo conhecido Chico Cego, antigo músico da comunidade do Daime do Mestre Irineu Serra.
A corda SOL e substituida por uma MI agudo e é afinada oitava acima, soando solta a nota SOL da 3a casa da 1a corda aguda MI.
Antonio Pedro relata que esta afinação dá o apoio necessário para sua voz. Esta alteração faz aparecer uma função encontrada na viola sertaneja ( dos repentistas nordestinos) chamada de rebote, só que é executada com o dedão para baixo, diferente da viola que com 3 cordas juntas na localização da 6a MI. A mesma função é utilizada por caminhos diferente e de forma econômica, utilizando somente 1 corda alterada.
O rebote da viola sertaneja possui a mesma afinação do chamado tikari dos instrumentos de corda da Índia (Sitar, Sarod, etc) e Iran ( Tar), também na mesma função de encalço rítmico agudo.
HÍBRIDOS
Instrumentos de provavel surgimento e adaptações nos seringais acreanos.
TAMBORIM
Nome genérico dado aos tambores em geral exceto para a zabumba e o pandeiro.
TAMBOR DE BORRACHA
Utilizado com corpo panela de esmalte com o fundo retirado, lata ou de madeira.
O latéx é defumado utilizando por exemplo uma bacia como forma, sendo curtida na sombra e no sol. Também era comum utilizar outros objetos já feitos de látex como bolsas, sacos e até sapatos encauxados ( embebidos de borracha de caucho) ou látex.
Esta pele é fixa ao corpo por pressão de cinta de látex chamada de sarnambi ou sernambí.
A sonoridade é rica em harmônicos e lembra o som produzido por bolas de futebol dente de leite ou balão de festa. Tocado com uma baqueta leve ou com a mão para não rasgar a pele propus frequências graves, um kick nítido e harmônicos em muitos níveis.
Fonte: Antonio Pedro, Antonio Honorato, Aldenor Costa, Seu Bima.
PANDEIROS DE APUÍ
Seus corpos feitos com aros retirados de raízes do apuí, árvore gigante que cresce a partir de copa de uma palheira. As raízes que parecem tábuas são cortadas dando origem a vários tipos de tambores, mas principalmente aos pandeiros que variam de 25 a 50cm de diâmetro. Sua forma circular é reforçada por aros cruzados internamente. Eram cobertos com pele de onça pintada, macaco capelão ou veado, esticados e fixos com pequenos pregos.
Fonte: Seu Bima.
ESPANTA -CÃO
Também conhecido como "Mãe do cão", "Violão do cão", este instrumento carrega em si simbolismos fortes misturados com humor, tanto por sua forma tanto pela execução e sonoridade.
É uma cruz de madeira com o pé de borracha defumada, platinelas nos braços e na cabeça, e um reco feito com molas, bambú ou ralo, no corpo.
Fonte: Antonio Pedro, Antonio Honorato, Aldenor Costa, Seu Bima.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
CD BAQUES DO ACRE - baquemirim
Está em fase de produção, o novo cd com participação de vários mestres de cultura popular do Acre, BAQUES DO ACRE.
Financiado com o patrocínio do BASA-Banco da Amazônia, apresenta um mapeamento da maior parte de manifestações culturais, ritmos e suas variantes que foram adaptadas ou criadas nos seringais do estado, que são:
-Baques de marchas
Ritmo binário de provavel origem nordestina, mas com sotaque indígena. Em algumas variantes, fica evidente a sobreposição dos ritmos tocados pelas etnias do tronco Kampa, em instrumentos semelhantes às caixas do divino.
-Baques de sambas
Ritmo quaternário com forte tendência indígena. Suas células são idêndicas ao Huayno andino e históricamente tem procedência das aldeias de diversas etnias localizadas no Acre. Antônio Pedro aprendeu a tocá-lo ainda em sua infância no cupixau de um Tuchau da etnica Shanenawá, tronco Pano. Outras etnias Pano, como os Kuntanawa, Huni Kuin e Yawanawá possuem formas ritmicas semelhantes nas canções, e quando tocadas em violão, praticamente idênticas em execução à técnica de Antonio Pedro.
-Xote
-Mazurcas
-Baque samba machucado
-Xerém
Dança de passo arrastado e miúdo, como que peneirando, por isso o nome "xerém", que é o milho pilado para alimentar pintos, e tem o refrão:
"Eu piso milho penero xerém, eu não vou criar galinha pra dar pinto pra ninguém".
Esta categoria de dança possui melodias muito alegres, geralmente em tom maior e com solo instrumental característico que confere sua identidade.
-Marcha Desfeiteira
(A Desfeiteira é uma dança que tem origem na vila de Alter-do-Chão, paraíso ecológico localizado a cerca de 30 quilômetros do município de Santarém (PA), na Região do Baixo Amazonas. Pela proximidade com o Estado do Amazonas, lá também a Desfeiteira acabou se integrando à cultura popular local. Mas é na festa do Çairé, em Santarém (no mês de setembro), que se pode ver com mais freqüência essa manifestação folclórica, ainda nos dias atuais.
A dança recebe o acompanhamento musical com instrumentos percussivos de pau e corda, além do sopro. São usados curimbós, maracás, ganzáz, banjos, cacetes e flautas.
Os casais de dançarinos se posicionam em duas colunas de pares. Em geral, as mulheres se posicionam à direita dos homens. A dança começa com os homens com o braço esquerdo voltado para as costas. A mão direita dos homens segura a mão esquerda das damas, que usam as saias para acompanhar os movimentos do companheiro.)
-Choros
-Vassourinhas
Manifestãção própria de carnaval, em forma de bloco com personagens que ridicularizam os beberrões (Maneco Leite) entre outros como o Morcego que senta do dedo de uma senhora. Ja extinta, as vassourinhas estão sendo registradas pelos mestres que restaram, Sr Aldenor Costa (voz e pandeiro) e Chico do Bruno (banjo e piston). Este, foi parceiro de Helio Melo, e ambos são naturais de Cruzeiro do Sul, local onde o folguedo acontecia.
Violonista à 65 anos, foi parceiro de José Pedro, pai de Antonio Pedro. Afirma que seu parceiro, que é Rio Grandense fora parceiro de Severino Januário, e trouxera para o Acre um enorme cancioneiro autoral e de seus contemporâneos nordestinos, especialmente na linguagem das sanfonas de botões, chamadas de concertinas ou de harmônicas.
Chico do Bruno, 77, Cruzeiro do Sul, também é multi instrumentista, toca piston, cavaco, violão, percussões em especial o banjo com uma técnica especial para folguedos de rua, produzindo um som semelhante à esteira da caixa clara utilizando uma palheta adaptada percutida no couro junto com as cordas. É companheiro de Aldenor na Marujada e Vassourinhas, e também acompanhou o saudoso Helio Melo.
Neste CD tem participação nas Vassourinhas.
Financiado com o patrocínio do BASA-Banco da Amazônia, apresenta um mapeamento da maior parte de manifestações culturais, ritmos e suas variantes que foram adaptadas ou criadas nos seringais do estado, que são:
-Baques de marchas
Ritmo binário de provavel origem nordestina, mas com sotaque indígena. Em algumas variantes, fica evidente a sobreposição dos ritmos tocados pelas etnias do tronco Kampa, em instrumentos semelhantes às caixas do divino.
-Baques de sambas
Ritmo quaternário com forte tendência indígena. Suas células são idêndicas ao Huayno andino e históricamente tem procedência das aldeias de diversas etnias localizadas no Acre. Antônio Pedro aprendeu a tocá-lo ainda em sua infância no cupixau de um Tuchau da etnica Shanenawá, tronco Pano. Outras etnias Pano, como os Kuntanawa, Huni Kuin e Yawanawá possuem formas ritmicas semelhantes nas canções, e quando tocadas em violão, praticamente idênticas em execução à técnica de Antonio Pedro.
-Xote
-Mazurcas
-Baque samba machucado
-Xerém
Dança de passo arrastado e miúdo, como que peneirando, por isso o nome "xerém", que é o milho pilado para alimentar pintos, e tem o refrão:
"Eu piso milho penero xerém, eu não vou criar galinha pra dar pinto pra ninguém".
Esta categoria de dança possui melodias muito alegres, geralmente em tom maior e com solo instrumental característico que confere sua identidade.
-Marcha Desfeiteira
(A Desfeiteira é uma dança que tem origem na vila de Alter-do-Chão, paraíso ecológico localizado a cerca de 30 quilômetros do município de Santarém (PA), na Região do Baixo Amazonas. Pela proximidade com o Estado do Amazonas, lá também a Desfeiteira acabou se integrando à cultura popular local. Mas é na festa do Çairé, em Santarém (no mês de setembro), que se pode ver com mais freqüência essa manifestação folclórica, ainda nos dias atuais.
A dança recebe o acompanhamento musical com instrumentos percussivos de pau e corda, além do sopro. São usados curimbós, maracás, ganzáz, banjos, cacetes e flautas.
Os casais de dançarinos se posicionam em duas colunas de pares. Em geral, as mulheres se posicionam à direita dos homens. A dança começa com os homens com o braço esquerdo voltado para as costas. A mão direita dos homens segura a mão esquerda das damas, que usam as saias para acompanhar os movimentos do companheiro.)
Em algumas referências sobre esta
manifestação é citado que ela tenha abrangido o estado do Pará e parte do
Amazonas, ainda não existem registros sobre seu cultivo no Acre.
As informações que serão descritas em
seguida provém de tradição oral de idosos residentes no município de Rio
Branco, que vivenciaram a DESFEITEIRA durante sua juventude até a década de 80.
Fontes: Antonio José da Silva, 1941 (Antonio
Pedro): Conheceu esta arte ainda criança, com seu pai Antonio José da Silva,
Rio Grandense que se se tornou seringueiro no Acre.
Mesmo sendo uma dança que acompanha música
instrumental, sou pai compôs uma linda canção utilizada para abrir a
brincadeira, que resume bem seu espírito de improviso e ludicidade:
“Quem tem toca flauta, quem não tem toca
taboca,Quem tem namorada dança, quem não tem olha
da porta”
No
seringais do município de Feijó, a desfeiteira era considerada, segundo seu
dizer “era uma dança da sociedade”, ou seja, promovida muitas vezes pelos
patrões, numa sociedade onde também aconteciam outros eventos culturais em
contextos mais reservados entre os trabalhadores.
Aprendeu com seu pai, também a tocar
harmônica desde os 5 anos de idade. Este instrumento foi trazido ao Acre por
nordestinos, que também trouxeram afinações que o adaptou à musica regional.
Sua execução é distinta do seu descendente que hoje é conhecido, o acordeon,
por funcionar notas diferentes entre o abrir e fechar do fole.
Veriana da Silva Brandão 1932: Criada
desde os 7 anos por Irineu Serra, fundador do Santo Daime, cresceu no contexto
da criação de versos e ainda guarda
versos de contemporâneos da década de 40. Ainda brincou a desfeiteira em sua
comunidade até a década de 80, onde as festas eram encerradas com este jogo
musical.
Antonio Honorato de Holanda. 1933: brincou
desfeiteira na região do rio Purús mais precisamente no afluente rio Antimarí.
Descreve sobre a função de mediação feita pela sanfona harmônica no jogo,
diferente da versão original do Pará, os instrumentos possuem funções
basicamente musicais. Quando a dama não queria que o seu parceiro pagasse a
prenda, por cumplicidade, ela podia retirar o instrumento das mãos do músico e
pousá-la sobre os braços do companheiro.
Abismar Gurgel Valente, provavelmente
1929: Violonista, acompanhou por muitas desfeiteiras o pai de Antonio Pedro,
que tocava harmônica.
-Choros
-Vassourinhas
Manifestãção própria de carnaval, em forma de bloco com personagens que ridicularizam os beberrões (Maneco Leite) entre outros como o Morcego que senta do dedo de uma senhora. Ja extinta, as vassourinhas estão sendo registradas pelos mestres que restaram, Sr Aldenor Costa (voz e pandeiro) e Chico do Bruno (banjo e piston). Este, foi parceiro de Helio Melo, e ambos são naturais de Cruzeiro do Sul, local onde o folguedo acontecia.
ARTISTAS:
Todos
foram seringueiros e fazem parte da última geração, pois em razão do êxodo
florestal seus descendentes não deram continuidade às manifestações culturais
que preservam.
Antonio Pedro e o técnico Jardel Costa na sala de mixagem.
Dona Carmem gravando.
Carmem Almeida, 65 anos, é esposa de Antonio Pedro, e completam 50 anos de casados no mês de agosto. Desde adolescentes são parceiros musicais das festas nos seringais. Tocava cavaquinho e violão, mas devido aos cuidados com seus 11 filhos e dificuldades financeiras ficou décadas sem tocar, mas nunca parou de cantar. Expressa um modo de cantar peculiar, de provável origem indígena, pela semelhança do modo das etnias Huni Kuin e Shanenawa, com atrasos voluntários e alongamentos de nota causando um efeito, uma ambiência semelhante ao efeito de reverb. Este procedimento é comum também no modo de solar do Seu Bima, como foi registrado no cd BAQUES DO ACRE 1.
Antonio Pedro
Sr Antonio Pedro, 71 anos, começou a aprender desde seus 5 anos de idade sanfona de botões com seu pai, José Pedro. Tocou em festas dos seringais até os 20, e depois se dedicou ao violão, pela dificuldade de aquisição e manutenção do instrumento. A vida nos seringais era dura. Em 2008, com apoio do projeto BAQUEMIRIM, é presenteado com uma 8 baixos e começa a recuperar o repertório de seu pai. São dezenas de choros, marchas, mazurcas, valsas, danças (desfeiteira, carreirinha, cana verde) e sambas acreanos.
Seu Bima
Sr Abismar Gurgel Valente, aproximadamente 80 anos de idade, não letrado, é natural de
Tefé, Amazonas, ainda adolescente foi trabalhar nos seringais do alto Envira, situado no município de Feijó, Acre. Violonista à 65 anos, foi parceiro de José Pedro, pai de Antonio Pedro. Afirma que seu parceiro, que é Rio Grandense fora parceiro de Severino Januário, e trouxera para o Acre um enorme cancioneiro autoral e de seus contemporâneos nordestinos, especialmente na linguagem das sanfonas de botões, chamadas de concertinas ou de harmônicas.
Seu Bima, como é conhecido, é soldado da borracha e preserva enorme repertório instrumental destas origens traduzidos para seu violão. Foi reconhecido como soldado da borracha e participou do cd “Baques do Acre dedição 1” tocando violão solo.
Antonio Pedro, Alexandre Anselmo, Aldenor Costa.
Aldenor Costa, 67, de Cruzeiro do Sul, é um dos últimos mestres da Marujada, Vassourinhas, Reizado de boi e Baianas. Percussionista e brincante, foi consultor nos estúdios da rede globo para atores na produção da novela Amazônia. Atualmente é zelador do seringal urbano da fundação cultural do município, mas seus grupos estão praticamente extintos.
No CD canta as Vassourinhas.
No CD canta as Vassourinhas.
Antonio Honorato, 78, natural de Boca do Acre, também é multi instrumentista. Já tocou harmônica, violão, cavaquinho, mas atualmente tem mantido as percussões, tocando os tamborins (tambores de origem indígena etnias Pano, escavado em palmeira e tocado com baquetas), colheres, tambor de borracha, espanta-cão, cuíca, e outros.
No CD participa tocando colheres e percussões.
No CD participa tocando colheres e percussões.
Chico do Bruno, 77, Cruzeiro do Sul, também é multi instrumentista, toca piston, cavaco, violão, percussões em especial o banjo com uma técnica especial para folguedos de rua, produzindo um som semelhante à esteira da caixa clara utilizando uma palheta adaptada percutida no couro junto com as cordas. É companheiro de Aldenor na Marujada e Vassourinhas, e também acompanhou o saudoso Helio Melo.
Neste CD tem participação nas Vassourinhas.
HINO DOS SOLDADOS DA BORRACHA
Foi gravado pelas 35 crianças do CORAL BOCA PEQUENA, coordenado pelo CENTRO DE MULTIMEIOS, da Secretaria municipal de educação, acompanhados pelos regentes Rosimar Brilhante e Rose Santos.
Este hino foi composto em navio que trazia soldados da borracha na década de 40, e foi recolhido por Tia Vicência, que vive em Xapurí.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
INFORMAÇÕES SOBRE ESTE BLOG
Criado por Alexandre Anselmo dos Santos, em 2009, este blog tem o objetivo de divulgar e registrar informações em forma de textos, audiovisual, aúdio e imagens sobre a obra musical de patrimônio imaterial do compositor Antonio Pedro e seus contemporâneos.
Assim, registra uma cultura pouco conhecida que é a música dos seringais do Acre, que é chamada de BAQUES.
O blog BAQUEMIRIM divulga o trabalho de educação patrimonial realizado a partir das pesquisas divulgadas neste blog ENVERSEIOS.
DISCOGRAFIA
As pesquisas realizadas tem como fontes os próprios mestres de cultura popular, e conta com as seguintes publicações:
-CD "O passo da natureza"; produzido por projeto Baquemirim e financiado por lei de incentivo do estado do Acre; 2010; Rio Branco.
-CD "O baile do seringueiro";produzido por projeto Baquemirim e financiado por lei de incentivo do estadodo Acre; 2010; Rio Branco.
Biografia do autor
Alexandre Anselmo é músico multi instrumentista natural de São Paulo, SP. Iniciou com guitarra aos 13 anos de idade. Estudou música clássica indiana, conviveu com diversas grupos tradicionais como Bumba boi e tambor de crioula do Maranhão, tradiçoes afro sudestinas como Jongo, Batuque, Moçambique e tocou com Fanta Konate, iniciando-se na música africana em Djembe e Dununs.
Estudou na Universidade Livre de Música Tom Jobim, em São Paulo, onde
começou a tocar choro em bandolim e violão, tocando em diversos regionais.
Em 2007, visita o Acre e se instalando em Rio Branco, conheceu por acaso o mestre de cultura popular Antonio Pedro, com quem começou a desenvolver o projeto Baquemirim, que procura revitalizar a música tradicional dos seringais acreanos.
Através do reencontro com outros artistas contemporâneos ainda vivos procura criar a estrutura necessária para a transmissão, divulgação e registro de seus conhecimentos.
BAQUEMIRIM
Assim, registra uma cultura pouco conhecida que é a música dos seringais do Acre, que é chamada de BAQUES.
O blog BAQUEMIRIM divulga o trabalho de educação patrimonial realizado a partir das pesquisas divulgadas neste blog ENVERSEIOS.
ENVERSEIOS, esclarecendo, vem do verbo criado pela cultura popular acreana "ENVERSEAR", que quer dizer criar versos.
DISCOGRAFIA
As pesquisas realizadas tem como fontes os próprios mestres de cultura popular, e conta com as seguintes publicações:
-CD "O passo da natureza"; produzido por projeto Baquemirim e financiado por lei de incentivo do estado do Acre; 2010; Rio Branco.
-CD "O baile do seringueiro";produzido por projeto Baquemirim e financiado por lei de incentivo do estadodo Acre; 2010; Rio Branco.
Biografia do autor
Alexandre Anselmo é músico multi instrumentista natural de São Paulo, SP. Iniciou com guitarra aos 13 anos de idade. Estudou música clássica indiana, conviveu com diversas grupos tradicionais como Bumba boi e tambor de crioula do Maranhão, tradiçoes afro sudestinas como Jongo, Batuque, Moçambique e tocou com Fanta Konate, iniciando-se na música africana em Djembe e Dununs.
Estudou na Universidade Livre de Música Tom Jobim, em São Paulo, onde
começou a tocar choro em bandolim e violão, tocando em diversos regionais.
Em 2007, visita o Acre e se instalando em Rio Branco, conheceu por acaso o mestre de cultura popular Antonio Pedro, com quem começou a desenvolver o projeto Baquemirim, que procura revitalizar a música tradicional dos seringais acreanos.
Através do reencontro com outros artistas contemporâneos ainda vivos procura criar a estrutura necessária para a transmissão, divulgação e registro de seus conhecimentos.
BAQUEMIRIM
O
projeto BAQUEMIRIM foi criado no ano
de 2007. A missão do projeto é
revitalizar a cultura de raiz e a identidade regional através da música e da
luthieria (arte da construção de instrumentos musicais) utilizando a integração
entre as gerações e atividades para geração de renda, educação e preservação da
memória. Buscamos dar apoio a grupos tradicionais de folguedos, que unem
diversas linguagens como dança e música.
O
projeto BAQUEMIRIM, tem no currículo as seguintes ações:
-Projeto
criança esperança/UNESCO, e REAJA, em 2008
-Projeto
criança esperança/UNESCO, e REAJA, em 2010
-Produção
dos CDs em patrimônio imaterial musical, de Antonio Pedro, “O passo da
natureza” e “O baile do seringueiro”, ambos por Lei de incentivo estadual, em 2009.
-Produção
do CD “Baques da terra”, patrimônio
imaterial musical, patrocinado pelo Banco da Amazônia, BASA S.A., 2010.
Para
ver todos os detalhes, em www.baquemirim.blogspot.com
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
sábado, 16 de abril de 2011
VÍDEOS POSTADOS SOBRE ANTONIO PEDRO
VÍDEO SOBRE SHOW NO PROJETO ACUSTICO EM SOM MAIOR 2009
Matéria jornalística feita por Gênova Marino.
SEU BIMA, UM MESTRE DO VIOLÃO SOLO DA FLORESTA
Tocava com o pai de Antonio Pedro, José Pedro, acompanhando sua harmônica e solando melodias que criara de uma forma espontânea que apresentam uma mistura de beleza e simplicidade.
Sua técnica é tradicional no Acre, utilizando a unha do dedo polegar como se fosse uma palheta, realizando também ataques duplos que dão um toque único na sua execução.
BAQUES NA ESCOLA
APRESENTAÇÃO MUSICAL DIDÁTICA que conta a história da música de raiz acreana através dos instrumentos tradicionais e do repertório do compositor Antônio Pedro e da performance musical de Antonio Honorato e Sra Carmem Almeida, todos músicos tradicionais da velha guarda da floresta.
O arte educador Alexandre Anselmo fez a função de mediador, apresentando os instrumentos, contando a hitória e executando os mesmos.
Destacamos aqui os agradecimentos pela parceria com o Centro de Multimeios, da SEME, Secretaria de educação do municipio de Rio Branco, que apoiou com transporte, contato com escolas, equipamentos e com a equipe externa que somou com a música, contação de história e apoio logístico.
O objetivo da atividade é realizar um encontro musical entre gerações através de uma vivência, onde todos participem e compartilhem de sua propria herança musical, com o fim de reconhecer e fortalecer a identidade.
O roteiro segue com os agogos de castanha que imitam o canto do sapo sururú, que mora dentro do formigueiro da formiga de roça. Os índios, Txais, escutando o ritmo do Sururú aprenderam o baque chamado de samba pelos seringueiros nordestinos, que era tocado com os tambores de tronco chamados de tamborins.
Na festa do Cupixau, barracão de festa indígena, chegou o reco, o maracá e a cuíca, todos de origem indígena, e resolveram convidar para a festa o Sr Antonio Pedro com o violão de afinação que ele chama de "sustenida".
Com ele, vieram os instrumentos dos cariús, os brancos: o triângulo, o cavaquinho, o zabumba, a harmonica, e inventaram de tocar com as colheres, inventaram o espanta-cão e o tambor de pele de borracha.
No término desta feliz história contada musicalmente, Antonio Pedro chama os mirins para aprenderem os refrões de suas canções.
A equipe foi composta por:
Antonio Pedro: violão, voz e harmônica
Antonio Honorato: tamborins, agogo, colheres e zabumba
Carmem Almeida: voz e maracá
Alexandre Anselmo: contação de história, e todos outros instrumentos.
Equipe multimeios:
Tanaka Oliveira, Kelen, Lásara, Ione, Marília.
Foram atendidas 4 escolas municipais que abrangem o ensino fundamental I e uma apresentação no Teatro Plácido de Castro no I Fórum de arte educação do Acre.
A HARMÔNICA
Após 58 anos passados, Antonio Pedro e seu companheiro Bima tocam juntos, harmônica 8 baixos e violão. São mestres da cultura musical do Acre, que lutam para preservar sua cultura que é desprezada pelos tempos atuais.
Cultura musical muito rica e original, que vem sido pesquisada pelo projeto BAQUEMIRIM
VÍDEOS DAS OFICINAS DE EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NO PROJETO BAQUEMIRIM / REAJA / UNESCO / CRIANÇA ESPERANÇA 2008
sábado, 19 de março de 2011
FALA COMIGO, MÃE NATUREZA!
Imagens do still (registro fotográfico) do documentário "FALA COMIGO, MÃE NATUREZA", que
está em processo de produção. Atualmente estamos convertendo 10 horas de gravação, onde
constam entrevistas com mestres da cultura popular que vivem no município de Rio Branco, Acre.
Estes, em grande maioria, fazem parte do êxodo da décadade 70, dos seringais do interior do
estado para a capital, a partir da especulação de terras e da invasão pecuária extensiva.
Na cidade grande, estão deslocados de seus contextos, onde suas atividades culturais faziam
sentido, pois dependem de elementos geogáficos, naturais e sociais. Assim, a tendência foi o
ostracismo, a exclusão e o esquecimento, fazendo com que a cultura de raiz nas áreas de
foguedos, música, dança e briquedos, estejam quase extintos.
Sr Aldenor, mestre da MARUJADA e de VASSOURINHAS, em Rio Branco.
Tem o privilégio de não precisar abandonar sua profissão, zelando do pequeno seringal urbano localizado no parque Capitão Ciríaco, no segundo distrito, Rio Branco, região central.
Seu Bima e Seu Antonio Pedro, recordando os tempos em que faziam as pelas de borracha, como estas.
Filmagem do documentário.
Seu Bima possui uma biblioteca da música instrumental em seus dedos.
A MÃE SERINGUEIRA
Seu Aldenor trabalhando
A casinha de defumação, de construção tradicional
Os depoimentos desabafam e relatam as consequência de anos sem apoio e discriminação, mas também apresentam a riqueza cultural desconhecida da maioria.
Os mestres participantes são:
Antonio Pedro
Antonio Honorato
Aldenor Costa
João Manxineri
Francisco Manxineri
Yawá Yawanawá
Abismar Gurgel
Os mestres participantes são:
Antonio Pedro
Antonio Honorato
Aldenor Costa
João Manxineri
Francisco Manxineri
Yawá Yawanawá
Abismar Gurgel
Sr Aldenor, mestre da MARUJADA e de VASSOURINHAS, em Rio Branco.
Tem o privilégio de não precisar abandonar sua profissão, zelando do pequeno seringal urbano localizado no parque Capitão Ciríaco, no segundo distrito, Rio Branco, região central.
Seu Bima e Seu Antonio Pedro, recordando os tempos em que faziam as pelas de borracha, como estas.
Filmagem do documentário.
Seu Bima possui uma biblioteca da música instrumental em seus dedos.
A MÃE SERINGUEIRA
Seu Aldenor trabalhando
A casinha de defumação, de construção tradicional
Pé de borracha, platinelas nos braços e reco no meio da cruz.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
REGISTRO DOS SHOWS Postagem dedicada a arquivar imagens de todas as apresentação de Antonio Pedro e seu grupo UIRAPURÚ.
2008
Show que inaugurou a volta da atividade de Antonio Pedro nos palcos, no projeto Acustico em som maior, no teatro de arena do SESC em Rio Branco.
Apresentação na EXPOACRE 2008, na primeira formação, com Lúcia Vieira, Charles Figueiredo e Daniel Baiano.
No CINFAUNA, 1o congresso nacional sobre fauna, onde apresentamos repertório de 13 canções dedicadas aos animais.
Arraial cultural 2008, na Arena da floresta, palco "Saudades do seringal"
2009
Uma ensaiadinha na beira do rio Acre no show do projeto em que fomos premiados em 1o lugar com 2 apresentações na passarela da gameleira.

Uma ensaiadinha na beira do rio Acre no show do projeto em que fomos premiados em 1o lugar com 2 apresentações na passarela da gameleira.

EXPOACRE 2009, todo mundo amontoado!

De volta ao projeto Acústico em som maior em 2009, com a estréia de Antônio Honorato nas percussões.


Festival da Boca do Acre, não ganhamos prêmio mas visitamos este lugar maravilhosos onde Seu Antonio compôs em 1962 o samba da Boca do Acre.


2010
Em 27 de novembro, na inauguração da Escola Acreana de Música, em Rio Branco.

Seu Antonio tocando sua harmônica de 8 baixos, batizada "Beija flor".

Em Dezembro, Antônio Pedro foi contemplado com o Prêmio Mathias de mestres da cultura popular, pelo governo do estado do Acre. Com o dinheiro, adquiriu uma colônia - área de terra - de 100 hectares de mata nos arredores do município de Sena Madureira, 80 km de Rio Branco, onde estamos iniciando um projeto de imersão cultural, para receber turistas e apreciadores da cultura de raiz do Acre, podendo ter uma aproximação com a floresta e suas medicinas, fauna, modo de vida e muita música.
2011
Galera reunida antes do show:
Antonio Honorato, Marilua, Antonio Pedro e Magno.
Arraial 2011: Palco SAUDADES DO SERINGAL
domingo, 16 de maio de 2010
INFORMAÇÕES DOS CDS: LETRAS
ANTÔNIO PEDRO e banda uirapurú
CD 1
“O PASSO DA NATUREZA”
Antônio Pedro da Silva é um verdadeiro artista da floresta, nascido em 1941,no município de Feijó, localizado no interior do estado do Acre. Desde jovem é reconhecido em sua região como curador e conhecedor das plantas medicinais da Amazônia, ciência que aprendeu com os indígenas e através das comunicações espirituais que desenvolveu.
Os Enverseios da Natureza são canções recebidas por inspiração espiritual para transmitir conforto, alegria e conhecimentos da Mãe Natureza.
Nela está a maior riqueza que são as medicinas de que a humanidade precisa para viver no bem estar e em harmonia.
1- O PASSO DA NATUREZA
É seu 1º Enverseio, de quando tinha ainda 14 anos de idade, recebido no seringal da Santana, colocação do abacateiro, na beira do igarapé Aracajú, no município de Feijó, localizado as margens do rio Envira. Do alto de um morro, após ter aberto uma estrada de seringa real, ouviu a voz cantar sobre sua cabeça, enquanto adimirava a maravilha da natureza.
A natureza é tudo isso, eu vou dizer
Este passo, ele é perfeito, é pra todos nós conhecer
O passo da natureza, o fruto do nosso dizer,
Por isso que eu vou dizer, que esse passo é pra entender,
Eu vou contar pra você ver
O passo da natureza, é o fruto pra nós dizer.
O passo deste enverseio, é a comunhão do pensamento
O passo da natureza, que brilha em nossos incensos,
Por isso que eu vou dizer, que esse passo é pra entender,
Eu vou contar pra você ver
O passo da natureza, é o fruto pra nós dizer.
2- BEIJA FLOR
Enverseio arranjado com um samba de José Pedro da Silva, pai de Antônio Pedro, na sanfona de 8 baixos.
Estou aqui
Mãe natureza mandou
No passo deste enverseio
Da Rainha beija flor
Ela um pássaro
Que a mãe natureza criou
Este pássaro ele é da luz
E do Astral superior
O seu alimento
É o melzinho das suas flores
Este passo é o caminho
De Jesus Cristo Salvador
3- MARCHAS DOS REIS
Sequência de marchas que descreve diversos reinados das linhas espirituais desenvolvidas em seu trabalho. São vegetais, animais e elementos da natureza representados por seus protetores, os Encaros.
A)REI TUBARÃO
Eu sou as malvinas, eu sou as malvininhas
Eu sou as lindas dálias que vem lá do oceano
Eu vim eu vim eu vim, por quê mandaram me chamar
Pois eu sou a linda dália eu venho da linha do mar
Olha eu sou reis tubarão
Dez homens só não me agüenta
Olha o tambor, tambor virou
Olha o tambor no meio do mar
B)ASA BRANCA
Ô Asa Branca tú vem de Aruanda
Seu Zé Falcão mandou me chamar
Olha o tambor chegou
Virou no mar sem fim
Eu vou baixando e dando nome
Sou Reis Cavalo Marinho
C)REIS BATATINHA
Reis batatinha, reis batatinha
Vem tirando os croatás
Os meus caboclos do batata
Nesta eira vem bailar
Não ando de noite, só ando de dia
Sou um pássaro mergulhão na beira do rio
Meu São Agostinho vem aqui nos acudir
As malvadas caninanas que vem aqui nos consumir
D)REI DAS COROAS
Eu tenho uma calça branca
Que é da cor de uma fita
Eu vou chegar na fita
Vou até São Benedito
Eu baixar na fita
Na cidade do Egito
Vou bailar com meus caboclos
No país bendito
Vem cá meus caboclinhos
Que tem força de cem dragões
Amostro a nossa linha
Em nome da Mestra Bernaldina
Vem cá meus caboclinhos
Quem tem asa sempre avoa
Vou chamar os meus caboclos
E dar viva ao Rei das Coroas
4- REI DE CANÃ
Composta quando ainda tinha 16 anos de idade, se refere aos “encaros”, que são os espíritos protetores das plantas e animais, e neste caso, do local chamado Canamã, nome derivado de “canas”, vegetação predominante nestes “tremedais” (região alagadiça). São citados animais e plantas que se combinam dentro dos mistérios da Mãe Natureza. Temos a participação do flautista peruano Eloy Chimpana
-Xandú (balsamo begoeiro): erva amazônica usada para dor cabeça,
-Gaspar: “encaro da natureza”, ou dono encantado da árvore Murici do pantanal, de porte médio alto, fruta vermelha comestível.
-Bamar: encaro do Jenapinho. Alimento, encontrado no rio Envira.
-Canã: de canamã (pântano) de lama preta, aonde nasce as plantas Sororoca, Paca-Vira e a Aninga de Jabuti.
A) REIS DE CANAMÃ
Meus pássaros periquitinhos
Cadê as minhas maracanãs
E o dono das galinhas d água
E o Papai é rei de Canã
Quando eu venho de manhã
Ô ô ô ô , Ô ô ô ô , Valei-me papai valei-me Xandú
A corrente de Canã
É corrente pra quebrar
Abra do olho rapaziada
Quando eu venho é pra levar
De manhã lá vai eu
Ô ô ô ô , Ô ô ô ô , Valei-me papai valei-me Xandú
Chegou o príncipe messias
Está me faltando o Gaspar
Cadê o messias velho
Está me faltando o Bamar
Valei-me papai ,valei-me mamãe, valei-me papai vem cá
B)LEONOR ENCANTADA
Canção recebida em sua juventude, que apresenta a encantada Leonor, que é uma jovem moça que protege as mocinhas dos 7 aos 14 anos de idade. É um enverseio com centenas de versos em repente, mas que teve alguns deles selecionados para esta gravação.
Macela do bom, macela
A gente vai brincar com ela
No passo das nossas vidas
O encante desta donzela
São passos da natureza
Nos passos sinto firmeza
Leonor que é encantada
Dentro das águas do rio Jordão
São passos da natureza
Nos passos sinto firmeza
O encante desta donzela
Nas águas do rio Jordão
Maria da Sangapide
A dona da palmeirinha
São passaros da natureza
No encante destA belaza
Leonor que é encantada
Dentro das águas do rio Jordão
Nas águas do rio Jordão
No passo quero saber
Nas águas do rio Jordão
Das flores do Muçambê
Leonor que é encantada
Dentro das águas do rio Jordão
São passos da natureza
Nos passos sinto firmeza
O encante desta donzela
No seu grande reinado
No passo da nossas estrelas
O céu iluminador
Leonor que é encantada
Dentro das águas do rio Jordão
5- O ADMINISTRADOR / A JANGADINHA
"O Administrador" é um enverseio que clama a humanidade para que zele da mãe natureza, e foi recebido em trabalho espiritual no Seringal Bom Amparo no ano de 2005, nas matas de Sena Madureira. A Jangadinha, que também é um enverseio de trabalho com Ayahuasca foi recebida nos fluidos espirituais quando tinha 14 anos de idade, no seringal Riachuelo, numa colocação chamada de “arrependido”, em Feijó. É muito utilizada para levantar as forças positivas.
A)O ADMINISTRADOR
Mãe natureza chama o administrador
Ele chama meus garis, é os meus trabalhador
Vamo o jardinho da rainha da floresta
Vamo bailar uma grande festa lá no mestre ensinador
Ele mandou eu ir ao jardim da natureza
Este jardim de firmeza que foi os meus trabalhador
Este jardim é de mamãe natureza
Ela precisa com certeza
De você meu zelador
Mas eu trabalho com a mente e o destino
Conhecer as medicinas, e um pouco eu quero aprender
E receber do meu mestre os ensinos
Eu peço meu pai divino me dê um pouco de saber
Eu trabalhar com a mãe que é a natureza
Esse jardim de beleza que ele é do criador
Esse jardim, o dono dele é o grande rei
O dono é o pai salvador
È o senhor dono da lei
A lei existe é pra todos nós cumprir
E todos nós seguir pois é a nossa obrigação
Quem segue a lei está mostrando o seu valor
De ser um grande senhor e ser um bom cidadão
E trabalhar em cima da tua razão
Que Deus te dá a proteção pra trabalhar na tua missão
Nós quem trabalha sempre quer viver melhor
Com a força do pai do universo
Que é o dono da força maior
Se reza missa com as suas ladainhas
Somos filhos da rainha que todos nós tem muito amor
Na natureza onde tem grandes professores
São eles quem dão os ensinos com a ordem do mestre imperador
E receber os teus ensinos com amor
Estudar e dar valor a tua arte que é profissão
Pois eu trabalho é pra cumprir minha missão
Estou no passo da doutrina aqui dentro da sessão
Vou trabalhar nos ministérios da ciência
E estudar com inteligência pra poder me dar valor
E ter amor a nossa mãe que é a natureza
Ela traz luz com firmeza com a proteção do criador
E estudar com nosso mestre é o professor
Ele é o dono dos ensinos este mestre imperador
Aqui eu recebo este enverseio com muito amor
De adoutrinar as grandes obras do nosso pai salvador
B)A JANGADINHA
A jangadinha quando vai subindo
Vai cortando água lá pelo alto mar
Ia passando pelo morro branco
Em cima de um barranco eu vi a beira mar
De longe eu vi o morro da beleza
Vi a natureza, e o Zeppelim passar
Corrente d água doce como mel
Eu bebi água doce para me salvar
A tarde voa um bando de andorinha
Quem conhece diz, o morro branco é bem
Mãe natureza foi ela quem enviou
O nosso professor, nos dá as aulas de amor
A tarde eu ouvi o cântico da sereia
Vi a natureza, e o Zeppelim passar
6- FESTA NO CUPIXAU
Compostas entre 1954 e 1956, com exceção de “Tuchau Jumadubé” de 2005, fizeram parte da convivência com diversos Pajés, Tuchaus e outros indígenas das etnias Apurinã, Huni Kuim, Jaminawa, Shanenawá, Kulina e outros. Temos a participação do flautista peruano Eloy Chimpana e do Sr Francisco Mantinery, liderança indígena, veterano das guerras do tempo das correrias que perseguiam seu povo. Toca um arco pressionado nos dentes chamado Trumpeh, flauta e nos deixa um depoimento documental sobre estes tempos passados e como seu povo sobreviveu.A)XUC XUC MACURUMA
Xuc xuc macuruma xique xique tacacá
Oriróque merequine iracurú maracacá
Shinê, shinê, shorá bombo hey
B)CABOCLO DO MATO
Caboclo do mato, tu foi corredor
De 100 cachorros não me pegou
Reizinho, Reizinho Aruanda
Reizinho, Reizinho Aruanda
Tu abra a janela que lá vem Jesus
Ele vem cansado com peso da cruz
Caboclo do mato que terra é a tua
Eu ando virando nas ondas da lua
Reizinho, Reizinho Aruanda
Reizinho, Reizinho Aruanda
C)TUCHAU JUMADUBÉ
O Tuchau Jumadubé no Cupixau ele é diretor
Os estudos deste caboclo ele é um grande ensinador
Ele é um grande ensinador no meio da selva, no jardim da flora
Ele é do alto das pedreiras no meio das pedras preciosas
No meio das pedras preciosas tem seu lajedo dos seus minérios
Onde esta os estudos da rainha tem a ciências dos ministérios
Na ciência dos ministérios tem seu valor com muitas firmezas
Está o passo de um enverseio da grande obra de mãe natureza
A grande obra de mãe natureza me deu os ensinos tenho muito amor
Onde esta no passo da doutrina o santo nome de pai salvador
D)BAMBA-BAMBA
Eu sou caboclo bamba-bamba squi bamba
Sou do batuque da Mãe Joana squi bamba
E eu perdi minha calimba squi bamba
E sou do canto de mambeira squi bamba
Ai lê ai lê squi bamba
Ai lê ai lê squi bamba
Ai lê ai lêeeeeeia
“Mambeira” (dança indígena de mariri em roda no cupixau)
CD “2”
“O BAILE DO SERINGUEIRO”
De uma árvore chamada “Sapota”, depois de derrubada e rolada em suas pontas era retirada a grossa casca que era transformada em um tapete de madeira com cerca de 2 metros de largura por 10 de comprimento. Com ela era feito o piso do salão próprio para a dança, riscado com parafina e coberto com palha de jarina. Adjuntos são os mutirões de roça, que unia muitas famílias e ao final do trabalho, na boca da noite se reuniam em festa que amanhecia até o dia seguinte.
A palavra “Baque” significa ritmo ou batida, e veio ao Acre com os imigrantes nordestinos. Ritmos que eles trouxeram, como a valsa, a marcha, xote, mazurca e benditos ganharam sotaques indígenas, e da mesma forma, uma mistura de ritmos indígenas adaptados no violão formaram o Baque de samba. A célula deste, inicialmente era tocada nas “Rondas de Marirí”, por dois tamborins, tambores de madeira com pele de macaco capelão ou cotia e tocados com baquetas. Antes disso, segundo os indígenas, este ritmo foi aprendido do canto de um pequeno sapo chamado “sururu”, que vive em formigueiros.
1-SAMBA DA BOCA DO ACRE
Composta no ano de 1962, descrevendo uma festa numa baleeira, embarcação tradicional, subindo pelo rio Purús da Boca do Acre até o Rio Chandles, região de belezas naturais conhecida antigamente como “corredor dos Nawas”, devido à resistência dos indígenas destas nações. Participação especial no coro: Verônica Padrão
Saí da boca do Acre
Embaixo de uma cerração
Fui até o rio Chandless
Rio da minha estimação
Eu faço isso decorado na memória
Tenho o meu povo de lado deixo o nome para história
Meninas minha meninas
O que foi que aconteceu
Foi do céu, caiu uma rosa
O tambor já se perdeu
Eu faço isso que eu decoro na memória
Tenho o meu povo de lado deixo o nome para história
2-MARCHA DA SIRIEMA / ARARINHA / MARIA TU BEM SABES
A Marcha da siriema foi composta por seu pai, José Pedro da Silva, e faz parte de um vasto repertório da música instrumental para sanfona de 8 baixos, que era tocado nas festas de baile.
Em seguida, temos duas marchas de cortejo, e também autobiográficas, revelando o comportamento social de uma época em que a mulher era “carregada”, fugindo com o futuro marido.
Participação no coro: kelen mendes
A)MARCHA DA SIRIEMA: INSTRUMENTAL (José Pedro da Silva)
B)MARCHA DA ARARA
Xô arara, xô ararinha
Quanto mais eu canto arara mais é bonitinha
Subi serra de fogo
Com as pragatas de algodão (“pragata”-alpercata-chinelo)
As pragatras pegou fogo
E eu decidi ir pelo chão
Desci na ponta da nuvem
Com dois coriscos na mão
Eu caxingava no escuro
Com o estrondo de um trovão
Eu Era siri eu era
Eu era siri eu sou
Eu dari dari eu dado
Eu dari dari eu dou
Vou me embora, vou me embora
Pra minha terrinha eu vou
Eu aqui não sou querido lá na minha terra eu sou
As meninas lá me chamam
Canarinho beija-for
Perguntei a um carneiro
A onde a ovelhas comiam
Carneiro me respondeu
No alto das melancias
Cacei sexta e cacei sábado
Domingo por todo dia
Fui dar com este rebanho
Segunda feira meio dia
Me faltou a ovelha velha
Que é mãe da ovelharia
Me faltou a marra nova
Que era esta que eu queria
C)MARIA TU BEM SABES
Maria tu bem sabe que amar coisa dourada
Já faz doze anos que tu é minha namorada
Maria não precisa, não precisa que eu te engane,
A amizade que eu tenho, ainda espero mais de um ano.
Fazem doze dias que eu prestei um juramento
Hoje chegou o dia de eu cumprir o meu intenso
Na casa do teu pai vou te pedir em casamento
O velho me respondeu: disse que eu não tinha sentimento
Faltou duas palavras pro velho se dirigir
-Se tu quer casar comigo, neguinha, vamos fugir!
Eu numa serenata na casa do morador
Na hora da saída Maria me convidou
-Para a serenata, pare que demore lá,
Deixe o velho adormecer para tu poder me roubar.
Maria disse isso, quase que eu morro de alegria,
Quando foi as doze horas, fui sozinho e roubei Maria.
3-XOTE DO ZÉ RIBEIRO / CURIÓ
O Xote do Zé Ribeiro foi compostos no ano de 1954, inspirado no dançarino conhecido como Zé Coringa, mas de nome Zé Ribeiro e descreve a conduta social das festas na época. O xote do Curió é do ano de 2005, em sua antiga colônia em Humaitá. A)XOTE DO ZÉ RIBEIRO
Mas este Xote dança ele quem souber
Dança direito moçada
Marca o Xote no pé
Se dança Xote
Devagar ou na carreira
Olha que o Zé Ribeira não tem sorte pra mulher
Dança direito todos na boa união
Dança direito moçada hoje aqui deste salão
Dono da casa a muito tempo que reclama
Para se tirar uma dama não precisa paredão
Dança este Xote todos nos somos Brasileiros
É o xote do Zé Ribeiro tirado no ideal
E hoje aqui está todo mundo avisado
Não é bom dançar colados pra não dar má impressão.
B)O CURIÓ
Eu vou cantar meu versinho do curió
Ele é um artista que gosta de cantar só
O curió é irmão do rouxinol, amigo do xororó que vem lá do rei codó
Curió, curió, curió,
De mim tem pena, por favor, de mim tem dó
De mim tem pena curió meu companheiro
Vem cantar no cajueiro pra alegrar meu coração
Eu vivo triste, sempre triste apaixonado
Vivo sempre desprezado, meu poeta do sertão
Conheço um homem que comprou um abacate
Para fazer viajem pro lado do vai e vem
Ele afobou-se quando viu o trem partir
Ainda hoje ele tem mania de correr atrás do trem
4-O BAILE DO SERINGUEIRO / PASSEIO NA FLORESTA
O samba “Baile do seringueiro” é uma autobiografia da profissão que exerceu, e a “Festa dos animais” apresenta a fauna acreana dentro da combinação de convivência, parentesco e interação entre as espécies. Ambas são do ano de 2008.Participação especial no coro: Verônica Padrão
A)O BAILE DO SERINGUEIRO
Fui num baile na mãe natureza
Uma festa na casa de João seringueiro
Num adjunto de um grande roçado
De noite rolava um grande festejo
O tocador era o sanfoneiro
O acompanhante era o violeiro
Trazia o tambor, o cavaquinho, o pandeiro
O reque a cuíca e o gaiteiro
Era um festejo na noite de São João
Uma festa na casa de João seringueiro
Cheguei dentro da festa com meus companheiros
E caímos no samba no meio do terreiro
O tocador era o sanfoneiro,
Tocava samba no meio do terreiro
A meia noite o sanfoneiro parou
O dono da casa o violeiro chamou:
-Você agora é o tocador!
E o baque do samba ele começou
Ô violeiro, ô violeiro,
É tocador e repentista brasileiro
Todos os anos fazia os festejos
Dos velhos tempos de nós seringueiros
No mês de junho que é o mês das fogueiras
Em Santo Antônio, São João e São Pedro
Os adjuntos dos grandes roçados
E as grandes festas na mãe natureza
Os grandes bailes no meio do terreiro
No baque do samba de nós seringueiros
Meu trabalho que eu tinha todo o dia
A busca do pão para minha família
Nem todo o domingo eu tinha o repouso
Pra estar com meus filhos e a minha esposa
A profissão que eu tinha todo o ano
De seringueiro 42 anos
Hoje estou velho, alegre e cantando
Pra meus conterrâneos este velho acreano
B)PASSEIO NA FLORESTA
“Eu faço verso, por onde eu passo,
Lá no jardinho da selva dos animais.”
Fui num passeio lá na floresta
De lá fui numa festa lá na beira do riacho
Na chegada dos pássaros nos galhos das árvores
O festejo na selva lá dos animais
Vem os queixadas com os catitús
Jabuti, o macaco com os garapús
O quati a cotia com o quatipurú
E o que anda no pulo que é o candurú
O Rato e a paca vem com o tatú
O gogó de sola que é o janaú
O buri-buri que é o quincajú
O mambira e a catita que com o quandú
O camaleão vem com o jacurarú
Jacuruxi lá no lago com o jacaré-açú
A anta com filhote vem com a cimarrú
A tigre pantera com a canguçú
A cobra do brejo é a jararacuçú
A valente da noite é a surucucú
A gato peludo vem com o gato-açú
E chegou o rei da selva o gaiero abadú
O gavião camiranga vem com o urubú
Voador tesoureiro vem com o jaburú
O socó lá no brejo pesca com o tuiuiú
O bem-te-vi e pipira vem com o sinhaçú
Jacamim se assusta com o esturro do mutum
O jacú ouve o apito da nambú azul
Cantador da lagoa que é o cururú
Curador lá da selva se chama kampú
Chega família, as meninas de urú
Na selva as araras azul
A capota ouve o apito das meninas nambus
Esperando o artista que é o uirapuru
O uirapuru é um grande cantor
Filho da natureza onde ele se criou
O uirapuru é um grande professor
Filho da natureza este grande cantador
5-MAZURCA DAS CRIANÇAS / COMPANHEIRO MILTON
Canções dedicadas à proteção das crianças, através de animais que compõem uma escola da Mãe Natureza, onde a Sangapide ( pássaro também com o nome “Peitica”)é a diretora e a Marianita (Curica cabeça de estrela) é a professora, além de plantas também protetoras como a marcela e o muçambê. “Companheiro Milton” foi composta na década de 50 e era dançada nos batuques de “baila” das sessões que comandava em Feijó.
Participação especial de coro com crianças.
A)MAZURCA DAS CRIANÇAS
Fui num trabalho do sítio das cenouras
Lá no jardim da marcela das flores
Fui ver os estudos das nossas criançinhas
Com a Marianita lá da palmeirinha
A Sangapide que é a diretora
E a Marianita é a professora
E lá na sala que ela dá os estudos
Lá todas crianças todas estão seguras
E a lição que ela passa pra eles
Pra todos eles vir comer bons frutos
E quando eles se passarem adultos
Todos eles ver o seu futuro
E na palavra que eu recebo a letra
Com proteção e força e firmeza
Se caso eles ter algum combate
Nunca nenhum perder o seu direito
Nos meus estudos que eu recebo o passo
Pra trabalhar com este grande mágico
A ponicitas me trazes as belezas
Destes grandes filmes de mãe natureza
Mas eu trabalho com dedicação
A proteção vem da força maior
Levar pra eles o que for de melhor
Uns bons estudos para estes menores
Eu acredito muito no destino
Nos meus ensinos tem muito que aprender
Levar pra eles um bom conhecer
Com a Rosalinda lá do muçambê
B)COMPANHEIRO MILTON
Ô Milton, companheiro Milton
Ô Milton, vamos vadiar
Ô Milton, sou menino Milton
Ô Milton, quero eu brincar
No mar onde não tem canoa
Mata passarinho, passarinho avoa
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS
FICHA TÉCNICA CDs
Antônio Pedro da Silva: Vozes, Violão, Sanfona 8 baixos, maracá, reco.
Carmem de Almeida: Voz.
Adalberto: 2ª Voz.
Alexandre Anselmo: Cavaco, violão, bandolim, 1º e 2º tamborim, 1º e 2º reco, triângulo, maracá, cuíca, pandeiro, chocalho.
Vanessa Oliveira: Voz.
Marilua: Zabumba e reco.
Participações especiais:
Verônica Padrão: Voz; "Festa dos animais" e "Samba da boca do Acre"
Kelen Mendes: Voz; "Marcha da arara"
Eloy Chimpana: Queña e Zampoña em "Reis de canã" e "Festa no cupixau"
Francisco Mantinery: Flauta, Trumpeh e depoimento em "festa no cupixau"
Crianças: Henrico, Érica, Glauber, Camila e Sra Gregória Serra em "Mazurca das crianças e "Companheiro Milton"
GRUPO UIRAPURÚ
Antônio Pedro da Silva: Vozes, Violão, Sanfona 8 baixos
Carmem da Silva: Voz, maracá
Adalberto: 2ª Voz, violão
Alexandre Anselmo: Cavaco
Vanessa Oliveira: Voz, triângulo e reco
Marilua: Tamborim e Zabumba
Antônio Honorato: Tamborim e colheres
Magno: Cuíca, pandeiro, reco e chocalho de murmurú
Vitor: Espanta-cão
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